A busca por crescimento sustentável e organização empresarial tem levado cada vez mais pequenas e médias empresas a olharem com mais atenção para um tema antes restrito às grandes corporações: a Governança Corporativa.
Mais do que um conjunto de regras, a governança representa um modelo de gestão capaz de trazer clareza estratégica, melhorar a tomada de decisão e fortalecer a estrutura das empresas em cenários cada vez mais desafiadores. Para empresários e gestores, entender e aplicar esses conceitos pode ser um divisor de águas entre crescer de forma desorganizada ou evoluir com consistência e segurança.
Pensando nisso, convidamos você a aprofundar esse tema por meio do artigo a seguir, escrito por José Ramón Dib, especialista em governança e parceiro da R.Monteiro Contabilidade e Gestão, que compartilha fundamentos e reflexões práticas sobre a aplicação da governança nas PMEs.
Governança Corporativa e PMEs
Quando escutamos a palavra ‘governança’ associada a palavra ‘corporativa’, para muitos, tal vez, o primeiro que vem na cabeça e a ideia de um sistema de controle aplicável só a grandes empresas ou corporações.
Porém ao longo dos últimos anos este conceito (governança corporativa) vem sendo mais divulgado e mais conhecido. E deste conhecimento cada vez maior se desprende um interesse, também cada vez maior por parte das empresas, sobretudo das de pequeno e médio porte, por incorporar um sistema de governança corporativa, ou seja, um Sistema de Gestão robusto.
Poderíamos dizer que esse interesse se baseia em pelo menos três grandes objetivos:
1- Criar de forma estruturada um processo de Planejamento Estratégico
2- Incorporar uma metodologia e rituais de gestão, que permitam de forma planejada e sistemática, um acompanhamento tanto do dia a dia, analisando os resultados e o grau de atingimento das metas, como também a certeza que o rumo estratégico definido esteja sendo respeitado e seguido, mesmo com os ajustes necessários durante o percurso.
3-Estabelecer uma estrutura e mecanismos de controle que auxiliem na antecipação de potenciais problemas evitando ou minimizando potenciais riscos com impacto na reputação e marca da empresa.
Dependendo do tipo de empresa, do momento ou ciclo de vida da mesma, assim com também do seu tamanho, este processo pode demorar mais ou menos tempo em ser implantado e em amadurecer. Entendendo que só “rodando” que poderá ser aprimorado e aperfeiçoado, permitindo ao mesmo tempo um maior e melhor entrosamento entre todos os agentes de governança.
E serão os Agentes de Governança que terão um papel fundamental na hora de implantar um sistema de governança corporativa e por isso sua escolha deve ser feita de forma assertiva e cuidadosa.
Afinal está sendo criada uma disciplina de gestão que deverá respeitar e casar com a cultura da empresa e, que com o tempo, passará a fazer parte dessa cultura. E isso vai requerer o esforço, a convicção e a resiliência de todos os agentes participantes, cada um desempenhando seu papel.
Todos eles alinhados atrás dos grandes objetivos:
- Geração de valor compartilhado para sócios e partes interessadas.
- Garantir a sustentabilidade da empresa, contribuindo positivamente com a Sociedade e o meio ambiente.
Agentes de Governança e suas interações
Em empresas já estruturadas e com uma maturidade e tamanho de media para grande, os principais agentes que compõem a estrutura de Governança Corporativa são tipicamente: os Sócios, o CEO, a Diretoria, os integrantes dos Comités Administrativos e/ou Consultivos, e os profissionais que fazem parte das estruturas de controle como os Comitês de Auditoria, de Assessoramento, de Controles Internos, de Compliance, de Risco, entre outros.
A estrutura de governança e os agentes que a compõem terão uma interação muito forte com todos os “stakeholders”, sendo eles a Sociedade, os Fornecedores, os Clientes e Consumidores, o Governo, os diferentes Setores, as partes Interessadas e tendo que buscar sempre um impacto positivo no meio ambiente.
Cabe mencionar que a estrutura geralmente não nasce com esse tamanho. Ela vai tomando forma acompanhando o crescimento da empresa.
É fundamental que essa estrutura, através dos seus agentes, garanta o equilíbrio entre os interesses de todas as partes.
E para preservar e atender este equilíbrio e muito importante que a estrutura de governança e seus agentes zelem pelo cumprimento das regras e normas estabelecidas.
Para que essa conformidade (compliance) seja atingida, os agentes de governança e sobretudo o Conselho deverá ser um guardião promovendo de forma enfática os Princípios Fundamentais da Governança, praticando e promovendo a cultura da Ética em toda a organização:
- Integridade
- Transparência
- Equidade
- Responsabilização
- Sustentabilidade
A Governança não é só o Conselho, porém este órgão pela sua própria natureza colegiada e diversa, será um ator fundamental no desenvolvimento de um sistema de governança robusto que realmente agregue valor a empresa.
Que, embora ajude com as análises de performance e resultados da empresa (olhar retrovisor), muito mais importante será que utilize essas informações para olhar e construir futuro (olhar estratégico), garantindo o crescimento e sustentabilidade da empresa.
O monitoramento visando avançar de forma coordenada em todas as frentes será sem sombra de dúvidas o grande diferencial de uma estrutura de governança bem sucedida e com resultados concretos.
Comentários Finais
Em alguns casos, como acontece as vezes em algumas empresas de dono, a implantação de um Sistema de Governança Corporativa pode despertar certa resistência e temores. Sendo os mais comuns os que são verbalizados como: “vai engessar a empresa, vamos perder agilidade”, vai aumentar os custos”, “se fazendo as coisas do nosso jeito chegamos até aqui e fomos bem-sucedidos, porque teríamos que mudar?”, “ninguém melhor que nos conhece a nossa empresa, como alguém de fora vai conseguir entender a nossa cultura?”.
Para cada uma dessas perguntas existe uma resposta. E com certeza que as melhores respostas serão as que trazem exemplos práticos de empresas semelhantes, que já passaram por essa mudança de forma bem-sucedida e com resultados concretos.
Por isso a função do Conselheiro é muito importante, sobretudo na hora de se incorporar a organização pois, com disse o Professor Eduardo Gomes da Board Academy, “Tudo começa com a cultura da Empresa”. Então saber fazer uma correta e rápida leitura dessa cultura, será um fator chave de sucesso para os conselheiros.
A diversidade e experiencia previa dos conselheiros que fazem parte do Conselho da empresa, serão as duas grandes fontes de valor onde a empresa poderá “beber” para se fortalecer e crescer.
A Determinação e Perseverança da Alta Direção serão fundamentais para encarar esse caminho de mudança, que não tem volta nem final.
José Ramón Dib
Conselheiro Consultivo | Mentor | Especialista em Governança Corporativa
Profissional com mais de 40 anos de experiência em grandes empresas nacionais e multinacionais, com atuação destacada em organizações como ARCOR, Cacau Show e PAT Group. Possui formação em Tecnologia Industrial de Alimentos e MBA Executivo Internacional pela FIA-SP.
Atuou como Vice-Presidente e Diretor de Operações, além de desempenhar papel relevante como mentor e conselheiro consultivo. É Conselheiro Certificado pela Board Academy e possui ampla experiência em governança, estratégia e operações.
Foi Presidente do Comitê de Supply Chain da AMCHAM (Câmara Americana de Comércio), Conselheiro da CAMARBRA (Câmara de Comércio Argentina-Brasil) e membro de conselhos em entidades como ABIA, ABICAB e ABIMAP.
Coautor de livros nas áreas de liderança, governança e ESG, também atua como auditor líder nas normas ISO 9000 e ISO 14000.
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